A Escola Inclusiva

 

Conceito de Escola Inclusiva

 

Segundo vários autores, o conceito de inclusão significa atender os alunos com NEE, incluindo aqueles com NEE severas, nas classes regulares, mas pressupondo o apoio dos serviços de educação especial, e também a prestação de serviços educacionais adequados a todas essas crianças.

Por sua vez, Correia (1997) defende a inserção dos alunos com NEE (mesmo as severas), sempre que tal seja possível e, acima de tudo, benéfico para o aluno, contando com o apoio de serviços educativos adequados às características da criança ou jovem. Estes serviços devem ainda ser complementados com tarefas que envolvam a criança ou jovem na comunidade, permitindo a aquisição de um conjunto de aptidões a aplicar no dia a dia de cada um. Assim, este princípio defende a escola que toma em consideração a criança como um todo e não apenas a criança aluno, respeitando três níveis de desenvolvimento essenciais - académico, sócio-emocional e pessoal – de modo a proporcionar-lhe uma educação apropriada de forma a maximizar o potencial do aluno.

O conceito de escola inclusiva é, acima de tudo, a passagem de uma pedagogia centrada no ensino, para uma pedagogia centrada no processo de aprendizagem, onde os conteúdos a leccionar, funcionam como instrumentos para desenvolver as capacidades dos indivíduos. Estes conteúdos devem desenvolver as capacidades dos indivíduos, ser diversificados (incluindo as áreas, os valores, as atitudes e os procedimentos) e deverão estar organizados. Os métodos adequados deverão ser interactivos e o papel do professor será apenas o de o facilitador da aprendizagem. Por seu lado, a avaliação tem também um papel diferente, conforme está consagrado no Decreto-Lei 30/2001, de 19 de Julho:

 

«A avaliação formativa é a principal modalidade de avaliação do ensino básico, assume carácter contínuo e sistemático e visa a regulação do ensino e da aprendizagem (…) A avaliação formativa inclui uma vertente de diagnóstico tendo em vista a elaboração e adequação do projecto curricular de turma e conduzindo à adopção de estratégias de diferenciação pedagógica.»

 

Esta nova pedagogia centrada na aprendizagem vem opor-se à pedagogia centrada no ensino, a qual se dirigia apenas ao aluno médio imaginário, para a aprendizagem mecânica e cognitiva, para o ensino de factos, conceitos e teorias, onde não era reconhecida a importância da interacção, com materiais únicos (nomeadamente o manual), e cuja avaliação apenas incidia no produto final e não no processo de aprendizagem do aluno.

O conceito de inclusão vem assim, agora, pressupor uma aprendizagem em conjunto e não apenas educação especial.

Para Stainback e Stainback (1992, cit. por González) a escola inclusiva pretende educar todos os alunos de um mesmo sistema, comprometendo-se a proporcionar programas educativos adequados à sua singularidade. No que respeita ao contexto sala de aula, as escolas inclusivas apostam, segundo os autores, na diversidade, de modo a proporcionar uma aprendizagem interactiva, no respeito pela diversidade dentro e fora da sala de aula, na adaptação e na diversificação do currículo normal, na colaboração entre os profissionais da escola e na participação dos pais na planificação educativa, dando-se, de igual modo, uma grande importância à construção da comunidade escolar (professores, alunos, pais e sociedade em geral).

O ensino não deve afastar-se da heterogeneidade social, cultural, cognitiva e também linguística dos alunos, de forma a evitar, muitas vezes o surgimento de necessidades educativas especiais. Os métodos de ensino e as estratégias centradas no aluno imaginário, alheios à diferenciação curricular e à flexibilidade curricular, geram também sucessos imaginários, que não têm lugar prático nas salas de aula e que não visam a inclusão dos alunos com NEE e, mais especificamente, aqueles que são portadores de T21.

Elsa Barreiras & Vera Camacho